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Quanto cobrar pela hora da quadra: como decidir o preço sem chutar

04/08/2026 · 3 min de leitura · Precificação

Por que só copiar o preço do concorrente não funciona

É a forma mais comum de precificar quadra: liga pro concorrente perguntando o preço, ou olha no perfil dele, e cobra parecido. O problema é que o concorrente pode ter uma estrutura de custo completamente diferente da sua — quadra própria x aluguel, luz mais cara ou mais barata, mais ou menos concorrência na região. Copiar o preço dele é copiar a conta dele, não a sua.

O cálculo que parte do seu custo

Antes de pensar em quanto cobrar, é preciso saber quanto custa manter a quadra aberta por mês. Some tudo: aluguel ou financiamento do espaço, energia, água, manutenção do piso/grama/rede, faxina, eventual funcionário de balcão, marketing. Digamos que essa conta feche em R$ 8.000 por mês.

Agora conte quantas horas a quadra fica disponível pra reserva no mês. Uma quadra aberta das 8h às 23h, 7 dias por semana, tem 15 horas por dia — cerca de 450 horas por mês. Dividindo o custo fixo pelas horas disponíveis: R$ 8.000 ÷ 450 ≈ R$ 18 por hora só pra cobrir o custo fixo, mesmo que a quadra fique 100% do tempo ocupada — o que nunca acontece.

Como nenhuma quadra vende todas as horas, o passo seguinte é dividir pelo que você espera ocupar de verdade, não pelo total disponível. Se a meta realista é ocupar 40% das horas (bem mais comum do que 100%), a conta muda pra R$ 8.000 ÷ (450 × 0,4) ≈ R$ 44 por hora só pra empatar. A partir desse número é que faz sentido pensar em margem de lucro — cobrar exatamente o ponto de equilíbrio significa trabalhar de graça.

Preço não precisa ser igual em toda hora do dia

Uma quadra society costuma lotar às 19h de uma terça e ficar vazia às 9h da mesma terça — são públicos e demandas diferentes, não faz sentido cobrar o mesmo preço nos dois horários. Se o horário nobre está sempre cheio e você não tem fila de espera nele, é sinal de que ele está barato demais pro que vale; se o horário de manhã está sempre vazio mesmo mais barato, o problema pode não ser preço (veja o artigo sobre horário vago).

Sazonalidade: o preço de dezembro não precisa ser o de julho

Arena de society e areia costuma variar com a época do ano — mais movimento perto de época de férias e feriados prolongados, menos em mês de chuva forte ou de frio, dependendo da região. Definir um preço de "alta temporada" e outro de "baixa temporada" com antecedência (e não de improviso, olhando a agenda vazia da semana) evita cobrar caro demais num mês fraco e barato demais num mês forte.

Fechando a conta

Resumindo o roteiro: (1) some o custo fixo mensal, (2) divida pela ocupação realista em horas, não pela disponibilidade total, (3) diferencie horário de pico e horário fraco, (4) revise por temporada. É mais trabalho que perguntar pro vizinho, mas é a diferença entre um preço que paga as contas e um preço que só parece competitivo.

Como um sistema ajuda nisso

Cadastrar um preço por dia da semana e por faixa de horário é o tipo de coisa que trava se for feito na mão numa tabela — um sistema de gestão de quadras permite configurar preços diferentes por horário e revisar a ocupação real (quantas horas venderam de fato) pra saber se o preço está certo, em vez de decidir só no olhômetro.

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